Complexo Adiposo

conteúdo altamente indigerível.

domingo, 28 de março de 2010

Papo Cabeça;

 Depois que você escreve um texto, o correto seria guardá-lo por um tempo para depois conseguir editá-lo sobre outra visão a qual você não tinha no momento que escreveu. Um blog é uma coisa totalmente experimental, aqui encontrarão erros de português, falta de concordância entre outros. Mas como os meus textos são pedras que ainda precisam ser lapidadas muitos de vocês um dia entrarão no blog e ficarão confusos - "bem, eu não tinha lido isso aqui antes nesse texto" -. Pois é, só depois de um tempo que você avalia os seus próprios erros, falo isso num âmbito geral, eu sou assim, você é assim, eu ajo assim com os meus textos. Estarei em constantes transformações, fazendo mudanças visíveis até, pois ainda não escrevi e nunca escreverei um texto que seja perfeito e que não precise de modificações. Agradeço por serem minhas cobaias de leitura, continuem acompanhando o blog e se puder sigam ele. Pode-se até segui-lo com o twitter, que creio que todos aqui têm. Um grande abraço.
                                                                                            Atenciosamente: O insano editor desse blog.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Take me home - Final Part

Não tinha noção de nada, não sabia onde estava nem quanto tempo havia passado depois de ter desacordado. Aos poucos foi organizando o pensamento. A dor lhe pegou de surpresa, nunca havia sentido algo tão forte, algo que viesse de supetão. Seus pés raspavam no chão, mas ele não tinha apoio, se mexesse seus braços eles doíam demais, seu couro cabeludo doía. Queria estar sonhando, só isso, não sabia como havia aceitado aquela merda de missão de resgatar a pobre donzela, puro papo furado. Agora quem estava fudido era ele, completamente fudido. Quanto tempo mais ia ficar ali? - Merda,onde fui me meter.- Tentou pedir por socorro, mas não havia barulho nenhum na casa. Eles haviam fugido. Pânico, era tudo o que restava para sentir, nem o medo chegava, era pânico, medo de morrer ali pendurado e ver aquela mulher morrendo aos poucos, perdendo cada gota de seu sangue. Não pensou duas vezes, talvez se não estivesse agindo instintivamente pararia para pensar. Num puxada só fez com que o gancho que segurava o antebraço esquerdo rasgasse a sua pele e o deixasse livre. Depois de tanta dor que havia sentido um rasgo não mudava em nada. O problema era a hemorragia, enquanto ele fazia força para retirar os outros ganchos seu braço sangrava continuamente fazendo com que a poça de sangue abaixo dele aumentasse. O esforço para retirar os ganchos das costas foi terrível e quando só restava um a sua pele se rasgou. Nessa hora ele liberou o grito de angústia que estava em sua laringe. O sangue jorrava de seus cortes, estava começando a se sentir fraco, se dirigiu até a cama e tentou arrastar a mulher que estava deitada ali. Não conseguiu, puxou com todas as suas forças, sua pulsação aumentava, o que fazia a hemorragia aumentar. Fez o que pode para levar ela para fora, desceu lentamente as escadas com a energia que lhe restava, sentia cheiro de querosene queimado, repousou a mulher na grama. O Fiat 147 já não estava mais ali. GAME OVER.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Take me home - Part four

A porta se abriu com um rangido, e ali daquele aposento que seria um banheiro improvisado saiu um homem alto e forte, que com certeza o abateria sem delongas. A princípio teve medo, mas precisava de respostas, e não poderia sair com ela morta dali. Conferiu se a hemorragia havia parado antes de se dirigir aquele homem, se levantou calmamente e se dirigiu até ele, ficou a menos de um metro de distância e o fitou nos olhos, mesmo sendo uns 20 cm menor do que ele, conseguiu se sentir confiante. Abaixou a cabeça e começou a andar de um lado para o outro, o homem não se movia. Com muito receio e enchendo a voz (somente a voz) de coragem perguntou:
 - quem são vocês?
 - você não está em uma posição favorável para fazer perguntas.
 - ok, mas o que querem com ela?
 - com ela nao queremos mais nada, já nos foi útil.
 - como assim?
 - já cumpriu a sua parte, agora ela é uma mulher livre e purificada.
 - Cacete! ela tá toda machucada, não purificada! que porra é essa?
 - só vai entender depois que experimentar.
 - o que?
 - você acha que te mandaram aqui por nada?
No mesmo momento parou de caminhar, vários flashes lhe passaram pela cabeça, desde que fora mandado aquela missão. imaginou-se pendurado naqueles ganchos. Tudo fazia sentido agora, aquilo lhe atingiu como uma cacetada na nuca. No mesmo instante pensou em correr, mas não podia deixar ela naquela casa, antes de tudo tentou bolar um plano mas naquela altura do campeonato nada lhe vinha na cabeça. Ou abria a mão ou os dois morriam.

terça-feira, 23 de março de 2010

Take me home - Part three

Seu instinto falou mais alto, sem piedade nenhuma desferiu um soco bem na boca do estômago do agressor, ele caiu no chão e ficou imóvel, não quis se defender. Tirou o seu capuz, viu um velho de uns 70 anos, peles frouxas, olhos fundos. Sentiu um peso nos seus ombros ao olhar aqueles olhos, eram conhecidos, sabia que eram. Ficou uns trinta segundos parados fitando aqueles olhos, até que se lembrou o motivo de estar ali, ligeiramente se levantou e foi em direção ao corpo pendurado e desfalecido. Tinha que pedir ajuda ao velho, não havia saída. Enquanto ele suspendia o corpo dela, fez o velho retirar os ganchos que estavam presos em sua pele, improvizou ataduras para estancar o sangue, a deitou numa cama próxima, o colchão estava cheio de buracos e os cantos todos roídos por ratos, totalmente repugnante.
- por quê tu fez isso com ela?
- eu não fiz nada -
Aquela voz rouca e calma lhe causava arrepios, e o mais estranho, um certo conforto.
- capaz!
Calmamente o velho disse.
- não precisa ser irônico, já disse que não fiz nada.  -
Já exaltado responde
- Ah é! então por quê ela está desse jeito? se pendurou ali sozinha?
- claro que não.
- ME RESPONDE, QUEM FEZ ESSA MERDA COM ELA?
A única coisa que o velho fez foi apontar para uma porta que até então passara despercebida.

Take me home - Part two

Duas batidas na porta em decomposição já foram suficientes para que o sujeito a abrisse, com um capuz cobrindo o seu rosto ele não pode ser identificado. Não precisou ser convidado para entrar, sua intuição fez com que ele entrasse rapidamente na cabana aos pedaços, a iluminação fraca lhe angustiava e mesmo procurando por um bom tempo foi difícil encontrar o corpo que estava pendurado no canto da sala de estar. A princípio teve vontade de vomitar mas se conteve, a primeira coisa que se lembou foi de uma reportagem que assistira a um tempo atrás sobre pessoas que ficavam extasiadas quando penduradas por ganchos que ficavam cravados em suas peles. Podia ouvir o som do sangue pingando na poça já formada. Ela estava na posição de uma marionete que não estava sendo utilizada,  ganchos presos em suas costas que a mantinham na posição vertical, o cabelo estava amarrado a uma corda que deixava sua cabeça em pé, os braços suspensos e presos por ganchos nos antebraços, os pés encostavam levemente no chão. Ele não sabia o que fazer, como a tiraria dali, como poderia salvá-la, a técnica de contra até dez não adiantava nesse momento.

domingo, 21 de março de 2010

Take me home - Part one

A vibração exagerada no carro antigo denunciava que ele estava andando numa estrada de chão cheia de cascalho solto, não queria estar ali naquele momento. A sua missão deveria ser cumprida dentro de 24 horas, já se passaram 13. Tentava aumentar a velocidade para chegar mais rápido mas a situação do carro e da estrada não ajudavam, não conseguia passar dos 30km/h. Era noite e sentia medo, as sombras que aqueles capins na beira da estrada produziam lhe deixavam angustiado. Nenhuma estação de rádio pegava ali, apelava para as velhas fitas cassete que estavam no porta luvas, 30 minutos de cada lado da fita. Já havia escutado Zé di Camargo e Luciano, Teodoro e Sampaio mas a que mais lhe agradara até o momento era a dos Mamonas Assassinas. Não sabia como alguém ainda guardava aquelas fitas ali, quem sabe conseguiria um bom dinheiro leiloando-as no Mercado Livre para alguns fãs fanáticos, não seria uma má idéia. A impressão que tinha era que havia um enxame de grilos ali dentro do carro e que não paravam de cantar. Ocasionalmente passava por alguma residência, por sinal mal iluminada, apenas via cabeças que saíam pela porta para ver que veículo passava por alí já que não era comum esse tipo de acontecimento, "que carro bacana" aposto que comentavam, era uma lata velha. Segundo o mapa que possuía faltava uns 12 km, logo chegaria, mas a ansiedade de chegar lá depois de tantas horas de viagens e escalas de avião. A verba que lhe restara só serviu para alugar um fiat 147 em péssimo estado, os bancos traseiros já não existiam, o que era bom para o que ele pretendia, acelerou um pouco para chegar antes, - hum o ponto de referência que tinham dito - pensou; estava próximo. O céu estava vermelho a chuva estava vindo, temia que chegasse antes de cumprir o que deveria, mesmo o carro balançando e tremendo como se fosse desmontar conseguiu chegar aos 50 km/h. A lamparina pendurada na varanda denunciava que ali era o lugar. Desceu do carro com cuidado, suas costas doíam e ainda sentiam as molas do assento velho, quando bateu na porta os pingos de chuva começaram a cair...

terça-feira, 16 de março de 2010

oi!



Provavelmente você não está entendendo o que eu estou fazendo aqui se esse não é o meu lugar. Consegui me descolar do meu eu, não sei se continuo sendo eu, ou se sou o outro ou se ainda sou alguém. Desculpe chegar nessa hora importuna, com licença. Estou aqui por um simples motivo ao qual fui incumbido: mexer com as suas ligações e te deixar louco. Quero que a culpa tome conta de você e passe por cada veia e artéria que esse seu corpo possui. Não que eu queria ser mal, mas é da minha natureza. Me sinto bem assim, vendo o teu, o dele, o sofrimento dela. Vais continuar ouvindo essa porra de música? Já não chega eu ter que te aguentar? Vira esse disco, quebra essa vitrola, joga esse pager pela janela! Esquece esses bipes que continuam a te incomodar!

p.s. olhe fixamente o centro desse quadrado e depois para o seu teclado.

domingo, 14 de março de 2010

(conto sem título)

5 mm de pó encobriam as capas dos livros que estavam naquelas estantes, eu podia ouvir o grito dos personagens que a tempo estavam presos ali, ansiavam por serem lidos. Uma voz aguda, falava algo relacionado a golfinhos, não me recordo bem. Logo depois desta veio a de um homem, que segundo a minha imaginação teria baixa estatura e elevado peso. - É um dragão! - consigo identificar por entre outros gritos. Sigo logo a frente no vasto corredor, as estantes são altas, é frio aqui. Avanço mais alguns metros, sinto que o piso está com uma camada de gelo, cuido para não escorregar. A fina camada de gelo vai se transformando numa espessa camada de neve, fico sem entender o que está havendo, apenas continuo. Deparo-me com uma porta que não estava ali, ou estava não tenho certeza. Há arranhões na parte inferior esquerda, logo abaixo da fechadura que por sinal está enferrujada. Há uma linha que se movimenta lentamente, chego mais perto e percebo que são formigas que juntas seguem para o buraco da fechadura. Não sei por que isso me deixou ansioso, me aproximo mais, consigo ver uma réstia de luz que vem do cômodo ao lado, iluminação indireta provavelmente. O trinco se abre com dificuldade, a porta range e se movimenta para a parte interna do cômodo. Alguém não sabe quem me convida para entrar, eu sem medo nenhum entro, o cumprimento e sento para uma conversa. Tenho que me explicar o por que de estar ali, peço educadamente se posso me aproximar da lareira, sinto frio e a roupa é insuficiente. Para meu espanto as laterais da lareira estão cheias de ossos de animais, alguns consigo identificar como sendo de aves, outros, tem muita semelhança com ossos humanos. Ouço o barulho de um corpo caindo, olho para trás e vejo o corpo do homem que a pouco estava conversando, estava numa posição engraçada, o sangue já começava a se mover por entre os sulcos do assoalho. Fico estagnado, sem entender nada.

sábado, 13 de março de 2010

Compulsividade


Vanderléia foi ao shopping center, comprou, comprou. Estourou o limite do cartão. Chegou em casa, guardou tudo. Nem sequer um dia vai usar metade daquelas roupas que pagará em 10x

(in memorian)

olha pra minha cara de felicidade

Quarto ao Lado

Eu tentei tapar os ouvidos com chumaços de algodão, o som abafado denunciava que a minha tentativa de ficar no completo silêncio fora em vão. É quarta-feira, odeio tradições, afinal quem foi o infeliz que determinou isso? Me dá náuseas de imaginar a cena que estou ouvindo, Jussara com aquela sua cara amassada, sofrida, aquela pele corta cor de peru frio. - Hey, não conseguem fazer menos barulho? - É um sincronismo, consigo compor uma melodia. Pingos de água da torneira estragada, o ronco rouco da geladeira antiquada e o ranger incessante do vai e vem na cama de lona do quarto ao lado. No instante do gozo, adormeço...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Permita-se pecar


Está tudo interligado, ela me chamar pelo nome errado durante dois anos. Talvez ela não entendesse a troca de letras que poderia ser efetuada. Cometer um erro simples como trocar "p" por "b" tudo bem, agora isso é inadmissível. Me mantive calado, evitar intrigas é o que posso fazer. Vai, joga na minha cara agora, é só isso? achei que doesse mais. A facada que deu em minhas costas doeu mais, faca sem fio, toda trincada. Isso dói, sabia? Não mais do que aquela dor que sinto quando te vejo com outro. Mas a escolha é tua, vai lá. pelo menos você acerta o nome dele, não? Passar o rodo já é bem démodé. Liga, vai, liga, é a cobrar não? Abra a caixinha e veja, está tudo aí. Cuidado: isso, isso. Boa menina. Quer um gole de vinho? hum, o gosto tá estranho? Não, impressão sua. Beba, isso, beba. Você fica tão bonitinha enquanto dorme!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Grupo Desvio do Septo com Bad Romance


Meu grupo de teatro realizando uma paródia do vídeo Bad Romance da Lady Gaga, assistam, riam e divulguem.
p.s. já aparecemos no TVZé do Multishow! WEEE

Desabafo

não sei, não sei, é muita coisa para a minha cabeça. - POR FAVOR PARE DE FALAR! OK? - são essas crianças com temperamento que mudam mais do que os adultos. não se sabe o que elas, querem. Querem brincar? É brincadeira que vocês querem? Não! Estou de saco cheio, não quero, não quero! UFA, isso, sente aí, fique quietinha. Não sou brabo, ok? são as rédeas curtas, que me fazem agir assim. COME, COME! isso! vai, encha a boca e pare de falar! Quer? Compre! Não nao, não estou sendo malvado. Boa Tarde! Sim, em que posso ajudá-lo? VÁ A MERDA. Acabou? NÃÃÃÃO, vai, macetes, macera, os macetes, macetes, macetes! MACERA! Quer comer? Compre, isso, compre, compre, é isso que você faz não? Trabalha, ganha, gasta? Não é este o ciclo? GASTE! gaste, ufa. acabou? NÃÃÃO! você é dependente, sim!, somos dependentes, para, para. - é alifática? - NÃO! O teacher falou que é cíclica! CÍCLICA PORRA! o carbono é híbrido! BLÉÉÉÉ! sinal! Coooorre pro intervalo, inspira, expira, inspira, expira.entendeu? Segura! Temos que grifar! BLÉÉÉÉ!  acabou? NÃO! vai pra p$%# que te pariu e escreve a p*@%# daquele texto.

terça-feira, 9 de março de 2010

Cortina de vidro

É essa cortina de vidro que não me deixa sentir. Eu sempre tento mas ela não me deixa passar. Me sinto preso, inerte. Olho para o outro lado, e não entedo por que ela não se quebra. É o medo que me corrói, que destrói, que infarta. E esse barulho estridente que não sei direito de onde vem. Acho que são os cacos de vidro que estão penetrados em meu peito. Lembranças da última vez que tentei viver.

segunda-feira, 8 de março de 2010








nem um,
nem dois,
São quatro
no nove

Pode entrar...

Alô - Oi Cláudia, é o Rogério - tudo ótimo e contigo? - não, faz tempo que não vejo ele - o que? - tem certeza? - Putz! - mas é ele mesmo? - não, não, faz muito tempo que não falo com ele - dois anos, no mínimo - ah sei lá, não teve motivos - não, nenhum motivo mesmo, nos só nos afastamos - Não merda! eu não peguei a Natália!- tenho, tenho, toda certeza do mundo! - Não mesmo, eu nem bebi! - Não bebi! - Não! - tá, foi só uma dose - duas? - não!, tá tá três. - quatro? - (risos) - Tem certeza? - mesmo? - (exaltado) foi tu que me levou pra casa? - cacete! eu nem lembrava! - HAHA eu já disse que não bebi, muito. - e você, tá fazendo o que da vida? - nunca imaginei que você pudesse tomar esse rumo - é - mas do jeito que tu era burra era visto no que você viraria - NÃO! , nao quis dizer nada - tô só brincando - meeeu, claro que não, sabe que esse é meu jeito! - em qual rua tu tá trabalhando? - já está aí? - ótimo - não, não só por curiosidade - depende - quanto? - aceita cartão (riso forçado) - tá, tá é brincadeira - eu só queria ter certeza que era você, estou aqui na esquina. - (silêncio) - pode entrar...

Amor

14 anos, logo completaria 15. Desde a sua infância ela sonha com o amor verdadeiro, sua metade da laranja, seu príncipe encantado que viria no cavalo branco, a carne da sua unha, o you do seu I love. Logo não sabe que tudo é uma farsa, amor verdadeiro não existe, a laranja na verdade é inteira, o príncipe encantado é um mito, e se existisse viria montado não mais do que em um jegue. Logo cairia na real, talvez passasse por um relacionamento aqui, outro ali. Não ligue! Deixe ela viver em seu mundinho, seu próprio mundinho, onde viverá só.

Desapego

Toda vez que olhava para aquela caixa sentia um aperto em seu peito, como se alguém tivesse a aberto com um rasgo, arrancado o seu coração e colocado lá. Não podia mais olhar para aquilo. "Deixe estar". Mas sabia realmente o que deveria fazer. Tentou esquecer, o vazio não deixava. Decidiu passear e levou a caixa consigo, não conseguia se afastar dela. Foi caminhar na beira mar, sua mente se refrescava, algo foi crescendo dentro dela e num ímpeto de desespero jogou a sua caixa no mar. E ali naquela água salobra, enquanto era consumido pelos peixes, o seu coração ainda pulsava.

domingo, 7 de março de 2010

Como pesar a sua Consciência

Às vezes passa pela minha cabeça, não sei porque passa. Que

muitas pessoas tem medo de ficar com a consciência pesada. Mas

não entendo como elas fazem isso. A sua cabeça pende para o lado

por causa disso? O sintoma de consciência pesada é visto em vá-

rias pessoas em nosso dia-a-dia. O que é dito como torcicolo na

verdade é o peso da consciência afetando a parte que sustenta a

cabeça. Para calcular o peso da consciência é necessário um cálcu-

lo matemático, onde:








Sendo:

P= Peso da consciência (em miligramas)

Ao=Acontecimentos ocorridos (em tempo)

Ip=Inclinação do pescoço (em graus)

Os estudos para cálculo do peso da consciência foram finaliza-

dos, mas continua sendo pesquisado algum antídoto para o peso

da consciência. Por enquanto continua sendo de pessoa para pes-

soa o método para aliviar este peso.
Sono,
um mundo perdido,
tão perto de mim.

Pode deixar, eu dirijo.

     Sinto minha boca seca, vagas lembranças da noite passada - Mirtes! me traga um copo d'agua! - fecho os meus olhos. Bendita Mirtes que tem sido a companheira que nunca tive, creio eu que seu salário elevado a motiva a me tratar bem. Flashes. Vagas lembranças.- PUTA MERDA, EU NÃO ACREDITO QUE FIZ AQUILO! - o carro, a única coisa que me veio na cabeça, lembro de um barulho estranho. Saio em disparada de meu quarto, - AI! MERDA, ESSE VASO DE FLORES NÃO ESTAVA AQUI DA ÚLTIMA VEZ! - caio, é indescritível a dor de bater o dedo mindinho em algum canto, fico quase que impotente. Me levando e sigo mancando até a garagem, abro a porta e me deparo com o parabrisas todo trincado, estou fudido.
    
     O silêncio é lacinante. Não que sempre pensei nisso, mas ultimamente eu não o aguento mais. Esses bipes ritmados que acompanham meu coração dão agulhadas em meus tímpanos. Não consigo mover as pontas dos meus dedos. Sei que o lençol é áspero, mas não consigo sentí-lo. Essa nudez me incomoda, tenho medo. Tento gritar, não consigo. Solto um silvo que mais parece panela de pressão em pleno vapor. Tento de novo e desisto. Há uma gota de suor escorrendo em minha têmpora esquerda, está coçando e eu não consigo me mexer, - por quê? - é só o que vem na minha cabeça, por quê isso não aconteceu com aquele filho da mãe do vizinho que é um vagabundo? Por quê isso, logo comigo? Levanto a minha cabeça lentamente, olho para as minhas pernas, mas só encontro pinos e parafusos penetrados em minha carne. A porta se abre, a enfermeira entra e injeta algo em minha veia. A última coisa que vejo é um rosto muito conhecido com seu dedo indicador posicionado sobre os seus lábios. Vazio...

Aula de anatomia

Ela já estava acostumada com aquela rotina escravizante, mesmo aquilo lhe consumindo e fazendo com que suas energias se esgotassem e sua vida ficasse por um fio, gostava. Já arrumara uma companhia, era a única que a ouvia quando precisava. Esta a fazia delirar e já estava começando a consumir o seu fígado que logo viraria uma massa podre e fétida que seria estudada por alunos de uma universidade qualquer.

E faça-se a luz!

  Início incerto, destino incerto. Não há motivos para que esse blog seja criado. Apenas uma vontade íntima de poder expor minhas idéias. Já aviso para que não tentem me entender, certas vezes eu não me entendo. O que escrevo raramente condiz com o que estou sentindo, se escrevo algum conto, assumo um personagem, e ele não é nem um pouco amigável. Se não fizesse parte de mim, eu teria medo das atitudes que ele poderia tomar. São várias máscaras as que uso, provavelmente nao encontrem ligação de uma postagem para outra, pois provavelmente não terão.
  Não me preocupo em saber se alguém vai ler o que escreverei, esse blog já estará cumprindo a sua parte, fazendo com que eu crie um compromisso com a escrita com uma certa periodicidade. O meu único objetivo é literário, talvez haja algo de outros meios, mas o meu foco é a escrita.
  Se quiser comentar sobre os textos, comente. Fique a vontade, grite, esperneie, chingue.